Petróleo passa de 116 dólares com embaixadas dos EUA em alerta máximo contra o Irã

Inteligência americana aponta aumento de ameaças iranianas a pessoal dos EUA no Oriente Médio. Com o Estreito de Ormuz travado, o barril do Brent chega ao maior valor em seis meses.

Por Vinicius Lemos,

O barril do petróleo Brent, referência no mercado internacional, superou 116 dólares nesta semana e atingiu o maior valor em seis meses, segundo a CNBC. A alta acontece enquanto embaixadas dos Estados Unidos no Oriente Médio operam em alerta máximo, depois que órgãos de inteligência americanos receberam informações de que o Irã intensificou os planos de atacar cidadãos e funcionários dos EUA na região.

De acordo com a CNBC, um memorando do diretor de inteligência nacional dos Estados Unidos, Jay Clayton, afirma que o Irã aumentou de forma expressiva os esforços para mirar pessoal americano no Oriente Médio. O documento indica ainda que a ameaça não se limita aos americanos e alcança também outros países.

O alerta tem um histórico recente. Ainda segundo a CNBC, o governo dos Estados Unidos determinou nesta semana a saída de funcionários não essenciais da Arábia Saudita. A decisão veio depois da piora dos ataques dos Houthis, grupo apoiado pelo Irã, num momento em que a guerra entre Washington e Teerã se aproxima do oitavo mês. A coalizão liderada pelos sauditas afirma ter destruído dois mísseis balísticos disparados pelo grupo contra as cidades de Taif e Yanbu.

O petróleo reage a esse cenário por um motivo direto: o risco de falta. O Estreito de Ormuz, rota por onde passa parte importante do petróleo do mundo, segue travado. Segundo a CNBC, autoridades iranianas disseram que reabririam a passagem se os Estados Unidos suspendessem o bloqueio naval, mas Washington recusou. Depois disso, a mídia estatal do Irã negou que a oferta tivesse sido feita. Quando a rota está bloqueada e a tensão aumenta, quem compra petróleo passa a pagar mais caro para garantir o abastecimento. Além do Brent, o WTI, referência americana, subiu 3,8%.

O calendário político dos Estados Unidos também pesa. A CNBC informa que o governo Trump adiou novos ataques militares contra o Irã para depois das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, e prometeu retomá-los depois dessa data. Do lado iraniano, há sinal de abertura: um diplomata do país disse à agência AP que Teerã continua disposto a negociar com Washington com base no acordo mediado pelo Paquistão em junho. Se essa conversa não avançar, a pressão sobre o preço do barril tende a continuar.

A própria economia americana já sente o efeito. Segundo a CNBC, a guerra provocou forte desarranjo na economia dos Estados Unidos, e a inflação e o custo de vida estão entre as principais preocupações dos eleitores às vésperas da votação.

Para quem mora no Brasil, o conflito pode parecer distante, mas o caminho até o bolso é conhecido. Petróleo mais caro encarece o combustível e o frete, e o transporte de mercadorias entra no preço de quase tudo o que se compra no supermercado. Por isso, uma ameaça contra embaixadas no Oriente Médio está ligada ao mesmo conflito que mantém Ormuz fechado e o barril acima de 100 dólares, um custo que tende a aparecer aos poucos no orçamento das famílias.

Nos próximos dias, vale acompanhar três pontos: se o Irã e os Estados Unidos retomam alguma negociação com base no acordo de junho, se há mudança na situação do Estreito de Ormuz e do bloqueio naval, e o que acontece depois das eleições americanas de 3 de novembro, data a partir da qual Washington promete voltar a atacar. Uma forma simples de medir o impacto em casa é anotar hoje quanto se gasta com combustível e mercado e comparar com os valores do fim de novembro.

As informações desta reportagem são da CNBC, com dados da agência AP e do jornal The New York Times.

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