Lula e Flávio Bolsonaro fazem último debate empatados em 50% no Datafolha
No encontro da TV Globo, dois dias antes do segundo turno, os candidatos discutiram impostos, inflação e gasto público, mas deixaram para depois o detalhe de como cada proposta seria paga.
Por Vinicius Lemos,

Lula e Flávio Bolsonaro fizeram nesta sexta-feira, dia 23, o último debate antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo. O encontro foi transmitido pela TV Globo e chegou num momento de disputa apertada: segundo a Al Jazeera, pesquisa do Datafolha divulgada na quinta-feira mostra os dois com 50% das intenções de voto cada um.
De acordo com a CNN Brasil, o debate teve mais espaço para propostas do que o primeiro confronto entre os dois, embora as acusações pessoais não tenham desaparecido. Entre os assuntos levantados estiveram o preço das coisas no dia a dia, as dívidas das famílias, a falta de esgoto e água tratada, o atendimento na saúde e a violência nas cidades.
O empate mostra como o cenário mudou em pouco tempo. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio terminou na frente, com 47% dos votos, contra 45% de Lula, segundo a Al Jazeera. Duas semanas atrás, as pesquisas ainda indicavam vantagem de 4 pontos para Flávio. O levantamento desta semana apaga essa diferença.
O ponto mais concreto do debate foi o dinheiro. Flávio disse que o governo atual elevou impostos e permitiu que a inflação corroesse o salário das pessoas, segundo a CNN Brasil. De acordo com a Al Jazeera, ele também responsabilizou Lula pelo avanço do crime organizado, pelo endividamento das famílias e por não ter enfrentado a alta dos preços. Lula, por sua vez, criticou a intenção do adversário de fazer cortes profundos no gasto público, numa linha parecida com a adotada por Javier Milei na Argentina, conforme relatou a Al Jazeera.
Na prática, inflação significa que o salário continua o mesmo, mas compra menos no mercado, na farmácia e no posto de gasolina. Por isso, a discussão sobre imposto e preço não é abstrata: ela trata do que sobra no fim do mês para quem vive de salário ou de aposentadoria.
O problema é que o debate ficou mais no diagnóstico do que na solução. Análises publicadas pela CNN Brasil avaliam que os dois candidatos empurraram as respostas para 2027 e que o vencedor não deve ter um período de trégua no início do mandato. Ou seja, o eleitor ouviu cada lado apontar o que considera errado, mas sem a conta detalhada de quanto custaria cada promessa e de onde sairia o dinheiro.
Para quem mora no Brasil, o efeito chega por três caminhos. O primeiro é o imposto, que pesa no preço final dos produtos e no que é descontado da renda. O segundo é a inflação, que define quanto o dinheiro vale de um mês para o outro. O terceiro é o gasto público: cortes ou aumentos mexem em programas, serviços e investimentos, e também influenciam os juros, o que aparece na parcela de financiamentos e no custo das dívidas.
Quem vencer no domingo vai decidir a direção dessas três frentes no próximo mandato. Um governo que corte gastos de forma acelerada pode reduzir serviços e transferências. Um governo que mantenha ou amplie gastos precisa mostrar como vai equilibrar as contas. Em nenhum dos dois casos os candidatos apresentaram, no debate, o caminho completo.
Nos próximos dias, vale acompanhar três coisas. A primeira é o resultado das urnas no domingo, já que o empate nas pesquisas não permite apontar um favorito. A segunda é o que o vencedor disser sobre impostos e gasto público logo após a apuração, porque é aí que costumam surgir os primeiros sinais concretos de política econômica. A terceira é a reação do mercado e dos preços nas semanas seguintes.
Até lá, uma forma simples de avaliar o que foi dito é separar ataque de proposta. Anotar o que cada candidato falou sobre imposto, dívida e preço do mercado, e comparar com as contas do próprio mês, ajuda a entender o que de fato está em jogo nesta eleição para o orçamento da família.